domingo, 15 de abril de 2012

A Mulher Anônima

 

Não tem rosto.
A mulher anônima também não tem nome.
Seu sorriso caiado possui um falso glamour
Que esconde a vergonha e a tristeza.
O Corpo da mulher anônima é um templo inviolável
De beleza plástica moldada e curvilínea,
Onde habitam o prazer lascívio e o desencanto
Para uns, ser desprezível
Para outros, acalanto
É mesmo assim a mulher anônima:


Fonte de prazer, culpa pagã e desencanto.
Os hipócritas que se saciam
Da força do corpo e do sangue da mulher anônima
São os mesmos que a vilipendiam, escarram e execram
Com seus princípios morais.
Autoridades, religiosos, chefes de família;
Ricos e pobres
Pretos, Brancos, Amarelos e mestiços;
Todos homens de bem arfam
Sob o corpo imprestável da mulher sem rosto
Que nem chora, nem ri
e nem demonstra gosto
nem mesmo asco
por ser o repositório infiel jorrado e nojento.
A mulher sem nome, sem rosto e de sorriso caiado e fácil
É uma dádiva fulgaz, Um anjo caído
Neste mundo traído
Por seus princípios morais.

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