domingo, 9 de maio de 2010

Tarde Demais!

Tarde demais....

O amor faleceu

Faminto de amor que estava

Malditas



Não sobrou tempo para cultivar

A contígua existência

Da ortodoxa essência humana

(de carne podre e coração ruim)



Um rio de sangue ruim

Riu de muim

Enquanto o silêncio sobrexistiu

Como forma letal de compaixão



Tarde demais

É veloz demais o entardecer em mim

E a alegria virou um pássaro eremita

Abrigado na mais alta montanha

Quase tocando o sol



Tarde demais

Abrace seu travesseiro

Companheiro imóvel



Pois a cada pesadelo novo

Um novo convite

Para bailar com a morte



E lance mão de toda a sorte

Pois cada riso

Inopinado teu

Será um malogrado número

No jogo de azar

Que a vida é



Tarde demais

Quando a solidão vier do sul

Vestida de azul

Te abraçar



E a primeira lágrima de sangue escarlate

Percorrer seu rosto feito lava, feito chocolate



Verás que não tens mais ninguém

Nem mesmo a mim

Pra segurar tuas mãos

(que seguram um rochedo na beira do abismo)

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